terça-feira, 25 de novembro de 2025

novembro 25, 2025 - No comments

Pós-modernidade, capitalismo tardío e pós-verdade epistêmica

Quanto mais eu sei, menos eu sei,

Quando achei que estava chegando perto da verdade

Na verdade eu me afastei.

Mas o que é a realidade, o que é real?

Se o real agora é um eco, ilusório e viral?


Antes duvidar era um gesto inteligente,

questionar o mundo era ser consciente.

Hoje, crer virou trincheira,

e duvidar é ser chamado de tolo na primeira.


Nossas impressões viraram tudo o que temos,

mas são espelhos quebrados do que vemos.

Repetidas milhões de vezes, distorcidas,

manufaturadas, vendidas, consumidas.


E me pergunto:

será que minha própria verdade

não é também miragem, vaidade?


Antes a metafísica brincava com o impossível,

sonhos, pós morte, o invisível.

Agora, toda crença se isola em mim,

um altar pequeno, um começo sem fim.


Duvidar virou ofensa,

pensar virou ameaça,

e a liberdade de expressão é faca

que corta quem nela confia e não disfarça.


Calar-se parece seguro,

num mundo onde tudo é muro,

onde palavras ficam presas

em posts, manchetes, mesas,


alimentando vermes do caos,

que fazem do erro festival,

do tropeço espetáculo,

da dor, capital.


Discutir é inútil, dizem,

consenso é utopia, mentem.

Discordamos sem escuta,

cada opinião vira uma luta.


Cada um embala sua ideia

como um filho de areia,

frágil, mas intocável,

mesmo sendo questionável.


Vivemos a pós-verdade,

a pós-modernidade,

talvez o pós-apocalipse

da própria humanidade.


A filosofia morre em silêncio,

a comunhão no distanciamento.

Imperam os templos do isolamento,

as seitas do ressentimento.


O desespero por algo em que crer

vira porta para quem só quer nos vender,

esmolando espírito e sentido,

no mercado do não vivido.


Capitalismo tardio, ardiloso,

entrelaça-se ao que é sagrado e perigoso,

controla nossos gestos, vontades, crenças,

transforma vidas em mercadorias densas.


Nada é como antes, é verdade,

mas tudo é sombra daquela realidade

que ainda vive nos escombros do que fomos,

um mundo acabado que ainda habitamos.

0 comments:

Postar um comentário