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SOBRE CONTROLE: É REALMENTE PATÉTICO TENTAR SEGURAR O VOLANTE?
Você olha a sua volta e a vida está cheia de situações difíceis que você gostaria de não estar vivendo. As pessoas que você gosta não ligam mais pra você. Os amigos que você conhecia se revelaram outras pessoas. As pessoas nas ruas estão ríspidas, vomitando suas merdas que estivaram escondidas por anos e que agora encontram liberdade de se expressar. As coisas estão acontecendo independente de você e de fato, o mundo nem sabe que você existe. Você está numa casa que não é sua, sem poder sair e vive com medo da morte ao mesmo tempo que gostaria de estar vivendo o que pode ser os seus últimos dias.
As coisas não estão no nosso controle, é verdade. E se tivesse, o mundo estaria uma bosta, porque justamente pelo fato de acharmos que não temos controle de nada que jogamos tudo para o ar e deixamos que outro alguém cuide desses detalhes. Quando você pensa diariamente que o controle é uma ilusão e todos os filmes ou matérias na internet estão tentando te provar isso, você não consegue entender o que é ser responsável. Nossa sociedade acredita ter um pai sol e dizem que ele cuida da gente, apesar de muitas pessoas não entenderem como esse tal pai tão bondoso pode deixar tanta desgraça aconteça. O pai é o provedor, o administrador, o que bate o martelo, o que vai cuidar das decisões da casa, e estão todos querendo deixar o controle na mão desse pai “porque o controle é uma ilusão”. E embora esse pai seja espiritual, o Deus, o cargo dele na nossa sociedade pode ser assumido por qualquer um que chegar lá. E esse cara vai ser cultuado justamente por ser a imagem semelhança de Deus. Ele é quem dita como vai ser a porra toda e mesmo que ele não esteja tomando as decisões certas, ele mexe com uma parte da consciência das pessoas que nunca tiveram o aval para libertar seus monstros a tanto tempo reprimidos. Então não temos realmente o controle de algo?
O argumento que sustenta a discussão do controle é de que caímos nessa tal ilusão por achar que todos os aparelhos eletrônicos e a facilidade do mundo moderno responde imediatamente aos nossos comandos. Temos o mundo a nossa mão e ele faz tudo por nós através de uma tela. Eu mando um comando e o externo responde. Mas depois caímos no achismo de que podemos controlar os outros. Mas vocês estão confundindo tudo. Porque não sabem diferenciar humano de máquina, o real do placebo.
Isso nos torna extremamente imediatistas, mimados e confusos. A tecnologia criou uma geração de pessoas frouxas, que acham que estão fazendo algo de verdadeiro pro mundo simplesmente postando ou compartilhando na internet. De fato, no mundo que a maioria das pessoas escolheram viver, o controle é uma ilusão.
Mas na vida real, enquanto acham que não se pode controlar nada, estamos tomando ações inconscientes e confusas, moldando toda a realidade para o futuro, achando que nada depende realmente de nós ou que somos individuos e que sozinhos não podemos fazer nada demais. As escolhas que tomamos todos os dias decidem tudo que vai acontecer. Embora não se dê para ter controle das circunstâncias, é inteiramente possível dirigir nossas escolhas para um determinado fim, e perfeitamente possível colocar nossas necessidades sob nosso poder sem reprimi-las, mas expressando-as de maneira equilibrada. Perdemos o controle porque somos patéticos em achar que podemos ser deus, perdemos o controle porque não reconhecemos que nossos sentidos são limitados, que na verdade sabemos muito pouco sobre a maioria das coisas. Controle não é um fim, controle é o meio - autocontrole, a arte de dominar a si mesmo sem se reprimir. Perdemos o controle porque nos agredimos e nos proibibimos de conhecer nossos piores demônios.
Perdemos o controle porque não nos entendemos.
Podemos segurar o volante da nossa consciência, mas nem sempre podemos segurar o volante das situações. Você seria capaz de ter uma comunicação tão boa com o fluxo do universo ao ponto de respeitar quando se deve interferir e quando não se deve fazer nada? Ou vai continuar achando que é Deus? Ou até pior... continuaria se sentindo infinitamente diminuído deixando tudo acontecer sem fazer o mínimo de esforço para evitar ou incentivar ?

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