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Filme "Her" e as Possibilidades do Amor
Eu não sabia que a experiência desse filme era tão profunda. Sempre subestimei por conta da sinopse "um homem que se apaixona pela voz de um sistema operacional." Mas na verdade esse filme retrata o momento de transição entre a superação de um término e o início de um novo relacionamento, agora com uma inteligência virtual que, na realidade do filme, já possui mais características humanas do que as vozes dos sistemas operacionais que temos hoje. É preciso entender que o filme é futurista nesse ponto para poder quebrar o preconceito de que ele está se relacionando com um Siri ou uma Cortana da vida. De alguma forma, a Samantha (nome do Sistema Operacional), tem sentimentos, ambições, intuição e percepção aguçada, além de ela aprender com o tempo e ter autoconsciência da sua existência.
A questão é: esse relacionamento é real, com todas as problemáticas de um relacionamento real, porém existem problemáticas específicas de um relacionamento entre homem e máquina, como: a falta de um corpo, não suprir as necessidades humanas dele e a aceitação das pessoas próximas.
Eu passei esse filme por muito tempo, eu o evitava. Mas agora percebo que perdi tempo na minha vida me recusando a assisti-lo. Ele traz questões muito interessantes sobre os nossos sentimentos e a progressão deles dentro de um relacionamento. A forma como ele se sentiu quebrado em vários aspectos por conta do seu relacionamento passado e como isso foi sendo reconstruído pelo novo relacionamento é interesse e, quando este chegou ao final, é perceptível como ela deixou uma marca na vida dele e que esse amor FOI REAL. Foi tão real que quebrou os limites físicos e ele conseguiu amar aquilo que em essência, é etéreo. Conseguiu amá-la mesmo ela vivendo suas questões de Sistema Operacional, quando ela aceitou que não precisva ser uma pessoa com um corpo e passou a se amar assim, sendo uma voz e um sistema.
Isso me faz refletir sobre as relações de nossos tempos. A dificuldade da maioria das relações é quando nos damos conta das diferenças do outro e precisamos articular essas diferenças que constituem a própria essência do relacionamento. Seja cedendo ou entrando em acordos, a forma de lidar com o que é o outro é o que vai garantir se aquele relacionamento vai prosperar ou não.
Uma das cenas mais marcantes desse filme é quando a Samantha consegue encontrar uma pessoa que topou ser o corpo dela pra suprir o fato de ela não ter um para satisfazer o Theodore (Joaquin Phoenix) e isso é estranho pra ele, porque em nenhum momento ele demonstrou frustração em relação a isso, ela que deduziu que se não tivesse um corpo o relacionamento não daria certo.
E no momento que ela aceita quem ela é, e ele aceita que aquele relacionamento é real, é quando as coisas dão certo.
Eu compartilho de um pensamento que o Theodore tem quando está andando pela rua com a Samantha no bolso: quando ele olha para as pessoas na rua, ele imagina como elas se apaixonam e como já tiveram seus corações partidos. Às vezes eu passo na rua e penso "todas as pessoas tendem a conhecer o amor", seja se a pessoa é diferente, excêntrica, bonita, feia, gorda, alta, anã, deficiente, de qualquer jeito, ela provavelmente já amou, já conheceu alguém, já se apaixonou por alguém. O campo da afetividade é um lugar comum, é por isso que existem múltiplas formas de amor.
Um dia desses eu assisti um programa sobre o amor no espectro autista. Já vi o amor entre pessoas com sindrome de down. E hoje em dia, o que mais se fala é sobre amor entre diversos gêneros e orientações sexuais.
O mundo está sempre mudando e hoje conhecemos mais formas de amar do que antes, pois as pessoas adaptaram suas diferenças dentro do espaço do amar.
Então esse filme não fala sobre um cara carente que se apaixona por uma voz que te da atenção, esse filme fala sobre as múltiplas formas do amor sendo aplicadas num contexto em que a tecnologia está avançada e que por conta dessas mudanças, são criadas novas possibilidades do amor se expressar. Por isso esse filme é lindo, profundo e inspirador. Eu me senti abraçada.

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